Flor do Mandacaru

Ao chover nasceste tu
Pra emprestar tua beleza
Oh, Flor do Mandacaru
No sertão, és realeza
Sinônimo de esperança
De fartura e de bonança

Da força da natureza!

 

Pelos margens do Rio Pajeú

Pelas margens do Rio Pajeú
Ouço aves cantando bem baixinho
Todo lado que olho um passarinho 
Vejo galos-campina e lambú
Tem golinhas, caboclos e jacu
O canário que canta encantando
Ribaçãs em rebanho "avoando"
As rolinhas comendo nos terreiros
Trovadores, poetas, violeiros
Cada um com seu canto versejando
Pelas margens do Rio Pajeú
Vejo versos brotar em cada flor
Um cenário perfeito de amor
As lembranças guardadas no baú
Numa rede na roça, eu e tu
E o cheiro de mato perfumando
A panela de barro fervilhando
E no rádio o som dos cancioneiros
Trovadores, poetas, violeiros
Cada um com seu canto versejando

OS TRABALHADORES

Poema de Rogaciano Leite gravado em um monumento na Praça Vermelha de Moscou, onde o poeta esteve em 1968.
Uma língua de fumo, enorme, bandoleante,
Vai lambendo o infinito – espessas e fatigada…
É a fumaça que sai da chaminé bronzeada
E se condensa em nuvens pelo espaço adiante!
Dir-se-ia uma serpente de inflamada fronte
Que assomando ao covil, ameaçadora e turva,
E subindo… e subindo…assim, de curva em curva,
Fosse enrolar a cauda ao dorso do horizonte!
Mas, não! É a chaminé da fábrica do outeiro
– Esse enorme charuto que a amplidão bafora -
Que vai gerando monstros pelo céu afora,
Cobrindo de fumaça aquele bairro inteiro.

Cante Lá Que Eu Canto Cá

A arte de Patativa do Assaré


Poeta, cantô de rua, 
Que na cidade nasceu, 
Cante a cidade que é sua, 
Que eu canto o sertão que é meu. 

Se aí você teve estudo, 

Aqui, Deus me ensinou tudo, 
Sem de livro precisá 
Por favô, não mêxa aqui, 
Que eu também não mexo aí, 
Cante lá, que eu canto cá. 

Você teve inducação, 
Aprendeu munta ciença, 
Mas das coisa do sertão 
Não tem boa esperiença. 
Nunca fez uma paioça, 
Nunca trabaiou na roça, 
Não pode conhecê bem, 
Pois nesta penosa vida, 
Só quem provou da comida 
Sabe o gosto que ela tem. 


GENOCÍDIO EM CAMPO SANTO...

Do Livro Casebres, Castelos e Catedrais, de Nenem Patriota.

São dois povos divididos
Em seus opostos destinos
As raízes são as mesmas
Pois são “univitelinos”
Palestina e Israel
Em conflitos assassinos
Com ódio, rancor e mágoa
Cometendo atos ferinos
Dizimando os inocentes
Desde idosos a meninos
Nas terras santas, sagradas
De sonhos tão genuínos
Dos profetas, do Messias
De apóstolos peregrinos
Plantaram campo de guerra
Dos mais tristes desatinos